Deputados federais
propõem reformulação do Ensino Médio no Brasil a partir de 2014
Audiência pública para
discutir assunto foi realizada ontem (16), em Natal. Para Reginaldo Lopes, o
recurso dos royalties do petróleo será um grande aliado para ampliar o sistema.
Foto: Wellington Rocha
Voltado “apenas” para incluir os jovens nas
universidades, o atual sistema pedagógico do Ensino Médio no Brasil é
considerado como um modelo falido por educadores que tentam reformular a
qualidade do ensino brasileiro. A ideia da Comissão Especial de Reformulação do
Ensino Médio, formada por deputados federais atuantes na área da educação, visa
requalificar o currículo pedagógico das escolas, de modo a explorar e despertar
o talento profissional do aluno. Em Natal, membros da Comissão estiveram
reunidos para explanar sobre o tema, em audiência pública realizada nesta
segunda-feira (16), na Assembleia Legislativa do RN.
“Estamos há um ano e meio percorrendo o Brasil,
realizando encontros para discutir o assunto e conhecer as demandas locais. Nós
reconhecemos que a educação é um sistema integrado, que compreende as etapas da
creche até a pós-graduação. Todas essas etapas requerem investimento, melhoria
de qualidade, mas o que nós estamos com mais decadência é no que diz respeito ao
Ensino Médio”, alerta o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), presidente da
Comissão de Reformulação do Ensino Médio.
“Todas as etapas da educação evoluíram segundo
dados do IDEB, mas o Ensino Médio não, mostrando que o seu projeto pedagógico
já faliu. Por isso nós estamos levando esse debate aos estados brasileiros,
avaliando qual o modelo ideal que deveria existir em nosso país”, avaliou o
parlamentar. Os encaminhamentos apresentados na audiência do RN farão parte de
uma pauta nacional que será debatida ainda neste ano durante um seminário
nacional.
Para o deputado Reginaldo Lopes, o projeto do
Ensino Médio brasileiro faliu por não cumprir diretrizes da Lei de Diretrizes e
Bases (LDB) da Educação, se transformando em uma etapa intermediária de acesso
às universidades. “Essa é uma das finalidades do Ensino Médio, mas não é o seu
papel final, que é preparar o jovem para a cidadania plena e para o mercado de
trabalho”, criticou, reafirmando que o modelo existente não desperta no jovem o
talento acadêmico, por não introduzi-lo no mundo da pesquisa científica.
O modelo apresentado pela Comissão deverá
cumprir três finalidades: preparar o jovem para o mercado de trabalho, dar
subsídios para a continuidade dos estudos e garantir conhecimentos para o
exercício da cidadania plena. Para isso, é necessário um sistema
multidisciplinar com conhecimentos tecnológicos. Esse assunto vem sendo
discutido pelos parlamentares e secretários de educação dos estados brasileiros
há mais de um ano, com previsão de mudanças a partir de 2014.
“O Ensino Médio que existe nas escolas é muito
conteudista, dando mais importância à disciplina do que ao aprendizado. Nós
precisamos mudar isso, trocando o excesso de conteúdo para as áreas do
conhecimento e suas grandes ciências, como a ciência da linguagem, ciências
humanas, biológica, exatas. Porém, para isso, é preciso que haja essa mudança
na estrutura de ensino e também mudança na licenciatura”, esclareceu Reginaldo
Lopes.
Uma das fontes que garantirá o reajuste na
estrutura do Ensino Médio serão os recursos provenientes dos royalties do
petróleo, quando 75% desse recurso será destinado para investimentos na
educação pública. A estratégia da Comissão Especial de Reformulação do Ensino
Médio é que haja um pacto nacional e as mudanças sejam feitas por adesão, onde
cada governante irá aderir ao novo modelo de ensino. A formulação desse novo
modelo também será encaminhada ao Ministério da Educação.
“O recurso dos royalties do petróleo será o
nosso grande aliado para ampliar o sistema nos próximos anos e até dobrar o
salário dos professores, ponto essencial para funcionamento do serviço”, disse
Reginaldo. Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), a destinação dos royalties
para a educação brasileira significa um grande marco na luta de defesa pela
educação.
“Esse recurso garantirá que o Plano Nacional de
Educação tenha suas determinações cumpridas, enfrentando os déficits da
educação. A agenda de valorização do magistério poderá ser cumprida, dando
assim um fortalecimento ao sistema. Não adianta investirmos em estrutura física
e pedagógica, mas esquecer do reajuste salarial do professor e qualificação
profissional”, avaliou Fátima.

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