Eleições
2014 RN: Espaço para costura
Muito mais do que o anunciado rompimento do PMDB
com o Governo Rosalba Ciarlini, a semana política ofereceu fatos – fatos –
capazes de indicar os caminhos que começam a ser percorridos para a armação dos
palanques (e sobretudo coligações) para a eleição do próximo ano.
Principal aliado da governadora Rosalba Ciarlini
dentro do PMDB, desde a eleição de 2010, a relação do senador Garibaldi Alves
como o Governo começou a se deteriorar ainda quando o advogado Paulo de Tarso
Fernandes era o todo poderoso Chefe da Casa Civil e o seu grupo havia recebido
duas secretarias de porteira fechada (Secretaria do Trabalho e Bem Estar Social
e Secretaria do Turismo), além da presidência da maior empresa estatal, a
Potigás, Antes do rompimento final, o grupo de Garibaldi abriu mão da
Secretaria de Turismo, num momento em que o seu indicado, Hamz Elali,
desinteressou-se de permanecer no cargo, e o grupo não demonstrou interesse em
indicar o novo secretário.
Depois da saída de Paulo de Tarso, seguindo o
vice-governador Robinson Faria (donatário da Secretaria de Recursos Hídricos,
incluindo a Caern de porteira fechada), foram feitas algumas tentativas de
melhoria do relacionamento, inclusive com a entrada em cena do deputado
Henrique Alves (que não havia apoiado Rosalba na campanha), defendendo a
criação de um conselho político que patrocinou uma reforma no secretariado, no começo
do ano, com a indicação de Junior Teixeira (Agricultura), Leonardo Rego
(Recursos Hídricos) e Renato Fernandes (Turismo), representando o PMDB, DEM e
PR. Registre-se que o desempenho deles, assim como de Rogério Marinho, na pasta
do Desenvolvimento Econômico, que entrou um pouco antes. Os quatro tem recebido
o reconhecimento e a aprovação geral.
Do ponto de vista prático, o “rompimento” do
PMDB significa uma demonstração pública da inexistência compromissos de apóio a
uma eventual candidatura de Rosalba à reeleição, um assunto que não está
definido nem mesmo na cabeça da própria Rosalba, além de dizer que terá
candidato próprio.
- E os fatos? – O mais emblemático de todos foi
o anúncio feito pelo deputado Fábio Faria da coligação do seu PSD com o PMDB de
Henrique Alves, para formar na coligação da chapa proporcional. Ocorre que o
PSD é o único partido com candidato definido ao Governo do Estado, justamente o
pai de Fábio, vice-governador Robilson Faria. As dúvidas começam por uma
questão fundamental: – Será que o filho do candidato a Governador vai subir num
palanque que não apóia o seu candidato ao Governo? – Ou será que existe um
desembarque em marcha do PMDB na candidatura de Robinson?
Como, depois de mais de 40 anos de atividades
parlamentar, o deputado Henrique Alves vem conseguindo impor a marca pessoal de
um político agregador, é possível identificar acertos semelhantes ao divulgado
por Fábio, com João Maia, do PR, e com Rogério Marinho do PSDB, não havendo nos
dois casos aparentes compromissos com as chapas majoritárias. Mas se tinha,
como certo o desembarque de João Maia, da barca governamental, o que pode não
acontecer. Sem esquecer que o Presidente da Câmara não parou de conversar com
José Agripino, Wilma de Faria e Fátima Bezerra, que poderiam se sentir isolados
com a entrada de Fábio.
Resumo da ópera; Uma análise desapaixonada dos
fatos mostra que na armação dos palanques (e das coligações) do próximo ano,
existem duas situações distintas. A primeira delas é da definição da chapa de
Deputados Federais, que, nos últimos 20 anos vem sendo preparadas como um
autêntico chapão (na última houve a zebra de Paulo Wagner), que pode já estar
sendo costurada nas preliminares. Mas que ficarão na dependência dos arranjos
federais e estaduais. O que aumenta, muito, o espaço para que se possa costurar
ainda mais.
Roda viva Novo Jornal

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