Processos do Foliaduto e
Sinal Fechado durante Governo Vilma de Faria terão que ser julgados até final
do ano conforme o CNJ
Tanto o Foliaduto como a
Operação Sinal Fechado aconteceram durante governo Vilma de Faria. Filho dela,
Lauro Maia, é acusado de participar do esquema. Foto: Vlademir Alexandre
O processo do Foliaduto, como ficou conhecido o
escândalo do desvio de R$ 2,1 milhões da Fundação José Augusto, durante o
governo Wilma de Faria (PSB), pode ser julgado até o final deste ano. A ação
está entre as que deverão ser analisadas por juízes designados pelo mutirão do
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), conforme determinação do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo a assessoria de comunicação do
Judiciário, ainda não foi escolhido o magistrado que ficará responsável pela
análise do Foliaduto, o que deve ocorrer em breve. O objetivo do TJRN é cumprir
a Meta 18 do CNJ, que estipula o fim de 2013, como prazo para julgamento dos
processos contra a administração pública e de improbidade administrativa
distribuídos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), à Justiça Federal e aos
estados até 31 de dezembro de 2011.
Outro processo que também envolve a gestão da
ex-governadora Wilma de Faria foi destinado para o juiz Cleanto Pantaleão. O
magistrado é o responsável pela análise dos mais de 300 volumes do processo da
Operação Sinal Fechado. Neste caso, a denúncia envolve a implementação da
Inspeção Veicular obrigatória no Estado, já no final da administração wilmista.
A Sinal Fechado resultou na prisão de diversas
pessoas, apreensão de centenas de documentos, dezenas de computadores e
sequestro judicial de bens dos envolvidos. As investigações apontaram para suposto
esquema fraudulento envolvendo membros do Governo do Estado, políticos,
empresários e lobistas dentro do Detran/RN.
Segundo investigações da Promotoria de Defesa do
Patrimônio Público, 34 pessoas se envolveram em esquemas de corrupção na
autarquia, incluindo desde lideranças políticas, servidores, passando por
empresários e advogados de pelo menos quatro estados brasileiros.
Entre os denunciados como integrantes do esquema
estão a própria Wilma de Faria e seu filho, Lauro Maia, além do ex-governador Iberê
Ferreira (PSB), o ex-deputado e ex-senador João Faustino, e o empresário George
Olímpio. Como faz parte do mutirão, o processo da Operação Sinal Fechado também
deve ser julgado até o final deste ano, embora o juiz Cleanto Pantaleão não
estipule prazo para definições.
Foliaduto
Já o escândalo do Foliaduto teve como principal
pivô do esquema, segundo denúncia do Ministério Público Estadual, o irmão da
ex-governadora, o médico Carlos Faria. Na época, como secretário chefe do
Gabinete Civil, foi apontado pela Promotoria do Patrimônio Público como “mentor
intelectual” do esquema que teria desviado mais de R$ 2 milhões da Fundação
José Augusto.
Segundo o Diário Oficial do Estado, a quantia deveria ser utilizada para o pagamento de bandas musicais, contratadas para animar festas de carnaval e do réveillon de 2007, daí a definição do nome escolhido para processo. Mas, o dinheiro teria sido destinado ao pagamento de custos referentes ao próprio Gabinete Civil. Desde a sua descoberta, em 2008, o caso ainda aguarda julgamento.
Segundo o Diário Oficial do Estado, a quantia deveria ser utilizada para o pagamento de bandas musicais, contratadas para animar festas de carnaval e do réveillon de 2007, daí a definição do nome escolhido para processo. Mas, o dinheiro teria sido destinado ao pagamento de custos referentes ao próprio Gabinete Civil. Desde a sua descoberta, em 2008, o caso ainda aguarda julgamento.
Carlos Faria foi inocentado de participação no
Foliaduto
Irmão da ex-governadora e atual vice-prefeita de
Natal, Wilma de Faria, do PSB, Carlos Faria foi absolvido do processo que apura
um dos mais populares esquemas denunciados na gestão “wilmista”: o Foliaduto. A
decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça no mês de abril. Para o relator
do processo, desembargador Dilermando Mota, “não houve ato ou fato ímprobo” que
possa ser atribuído a Carlos Faria.
“Não houve ato ou fato ímprobo, já que não há
prova de que os despachos proferidos pelo apelante Carlos Alberto de Faria
estavam contaminados de improbidade, pois, pelo que solta dos autos, foram
lançados de forma normal e sem aparente vinculação com atos delituosos. E mesmo
que se cogitasse de eiva de ilegalidade na prática desses despachos – o que não
é o entendimento deste Relator – ainda assim essa suposta ilegalidade não teria
o condão de torná-los em condutas ímprobas, a merecer as sanções da Lei 8.429?,
analisou o relator, dando provimento ao recurso movido pelo advogado Erick
Pereira, que defende o ex-secretário.
É importante lembrar que no final do mês de
março, o Ministério Público de Contas, órgão que trabalha junto ao Tribunal de
Contas do Estado (TCE), apresentou um parecer também inocentando Carlos Faria e
colocando apenas François Silvestre, ex-diretor da Fundação José Augusto (FJA)
como responsável pelos desvios, uma vez que ele era o único ordenador de
despesa que aparece.

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